
Vinte minutos após a chamada, os homens do Corpo de Bombeiros chegaram ao local do sinistro, mas nada puderam fazer. Este foi o fim de uma história que começou com uma brincadeira de criança, e que culmina com o desespero dos pais de um menino que completa três anos no próximo domingo, 11, e de uma menina de 12 anos, que a única coisa que conseguiu fazer foi gritar desesperadamente por socorro.
Tudo começou por volta das 16h da última sexta-feira, 02, quando os irmãos estavam sozinhos na casa onde moravam com os pais, no bairro Campo Verde, em Araranguá. O casal estava ausente em virtude do trabalho, e pensava que o fato da casa ser rodeada por parentes garantia a segurança das crianças. Não foi bem assim. Dentro do quarto da casa de madeira de cerca de 70metros quadrados, o menino G. (2) brincava em cima da cama, com uma caixa de fósforos. O objetivo seria atear fogo nos ursinhos de pelúcia. Uma das vizinhas chegou a ver a criança com a caixinha perigosa nas mãos, mas duvidando que a criança saberia riscar os palitos, ignorou o perigo, e isso foi fatal. Na brincadeira, o menino conseguiu atingir o intento. O fogo alcançou os ursinhos, atingiu a cama e subiu ao forro, onde entrou em contato com a fiação da casa. O sobrinho do dono da casa, e o vizinho da família, sentiu o cheiro de fumaça, quando ele e os outros vizinhos ouviram os gritos da pequena N (12) pedindo socorro: “Foi aí que nos demos conta que a casa tava pegando fogo. Foi tudo muito rápido”, conta. Outro vizinho, J.S.R., 18, arrombou a porta dos fundos e retirou o menino, que não esboçava reação, e permanecia no quarto que naquela altura dos acontecimentos, ardia em chamas que atingiam metros acima do telhado da casa. Nada se salvou, nem o carro que estava na garagem, o Ford Escort GL azul 1992, placas LZY – 8527. Segundo a dona da casa, que veio morar no local com o marido e os filhos há cerca de dois meses, o carro teria seguro, mas como os documentos foram queimados pelas chamas, só hoje ela e o esposo saberão se terão ressarcido pelo menos esse prejuízo.
“Perdemos tudo, não sobrou nada, mas graças a Deus, temos nossos filhos salvos”, diz J.C. R., 30, que conta que as crianças saíram de casa portando apenas as roupas do corpo. Um irmão alugou uma casa, e vai pagar pelo aluguel durante três meses, até que a família se recupere. Uma geladeira e algumas peças de roupas foram doadas com a solidariedade dos moradores e amigos, mas muita coisa ainda é necessária: “Precisamos de tudo, desde fraldas pro nosso menino, mantimentos, roupas pros nossos filhos, sapatos, roupa de cama e mesa, louças, móveis, eletrodomésticos. Toda doação que recebermos vamos agradecer de coração”, diz a mulher, ainda bastante abalada com a perda. Para ajudar, basta ligar para o fone (48) 9975-8447 ou para o esposo, no (48) 9937-7037.
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