
O Delegado André Mendes está em Sombrio há cerca de três meses e se diz impressionado com o alto número de crimes sexuais, como abuso de crianças e adolescentes, que ocorrem e são registrados na Delegacia da Cidade.
Desde que chegou, tomou conhecimento de, no mínimo, cinco casos, o que para ele é demais.Em tão pouco tempo este número para uma cidade pequena. “Se fossem cinco, ou dez homicídios todos estariam impressionados, espantados, mas os estupros, apesar de não tirar a vida das pessoas, é um crime de violência muito grande, tão espantosos quanto assassinatos”, comenta Mendes. Os abusadores, em sua maioria, são pessoas que não tem parentescos de sangue com a vítima. “Geralmente é um padrasto ou namorado de uma tia da criança, ou adolescente abusado. Eu fico espantado com a velocidade com que as pessoas se juntam, se conhecem hoje e amanhã estão morando juntas, é importante que as mulheres tenham consciência de quem estão levando para dentro de suas casas, próximos de suas famílias”, alerta.
O investigador Gustavo afirma que o número só não é maior porque muitas pessoas sentem-se envergonhados em denunciar e expor a família, ou se expor, evitando ser responsáveis pelos acontecimentos.Dentre os casos que chegaram a delegacia está o de uma menina de 16 anos, que era abusada desde os 12 e, só agora, a família relatou o acontecido. Não só adolescentes são vítimas dos inescrupulosos criminosos. Em dois casos comentados pelo delegado André Mendes, durante entrevista ao Jornal Amorim, o estupro foi cometidos em crianças de três e oito anos.“O estupro está hoje unificado, antigamente só era considerado estupro quando havia penetração, o ato sexual completo, hoje não, qualquer atitude que represente abuso é considerada estupro”, lembra Mendes. “E quem comete estes crimes com menores de 14 anos tem uma pena ainda maior”, completa Gustavo.
Falta de informação
O delegado André Mendes disse ainda que a delegacia tem sido procurada constantemente para resolver problemas familiares, problemas de casais que recém se conheceram e já tem grandes problemas. “Tem gente achando que deu problema em casa tem que vir na delegacia resolver. É melhor prevenir, ter cuidado com quem se envolvem em festas, em domingueiras qualquer por aí, que conheçam o histórico da pessoa a fundo, para não sofrerem depois”, explica.
Já o investigador Gustavo disse que os relatos dos abusos sexuais a crianças e adolescentes, na delegacia, são feitos por pessoas de classe social mais baixa. “Pessoas de classe média, que também sofrem com isso, têm medo de se expor, quanto mais informação elas têm, mais medos têm de denunciar”, relata.
Outras maneiras dos estupradores evitarem com que as crianças e os adolescentes denunciem seus atos é com ameaças e compras, oferecendo produtos que são o sonho de consumo dos jovens, em troca do silêncio.
Álcool em pauta
André Mendes, que foi secretário estadual de segurança pública, no governo de Leonel Pavan, em 2010, diz que deve conversar com o Prefeito de Sombrio, Professor Jusa e com autoridades e entidades da cidade, para falar sobre o alcoolismo.
“Acontecem muitos casos de problemas com o álcool, homens que chegam bêbados em casa e agridem a mulher, ou os filhos, como fez um homem que foi denunciado semana passada em nossa delegacia, por agredir a companheira com golpes de facão. Pretendo conversar com as autoridades para que campanhas sejam feitas e outras atitudes tomadas em busca da reversão deste quadro”, finalizou.
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