
Abatido, triste, inconformado com a Justiça: este é o estado do empresário meleirense, V.F., 44, que teve a prisão preventiva cumprida na tarde de ontem pelos agentes da DIC – Divisão de Investigações Criminais da Polícia Civil de Araranguá.
Segundo a denúncia apurada na época dos fatos pelo delegado Jair Pereira Duarte, há cerca de oito meses, o homem teria cometido estupro de vulnerável contra a sobrinha, que na época tinha três anos. A denúncia partiu da família da esposa do acusado, que teria levado a menina para psicólogos e realizado o exame de conjunção carnal. Segundo o próprio acusado, que conversou com a reportagem do Jornal Amorim com a autorização do coordenador da DIC, delegado Jorge Giraldi e também do advogado de defesa do acusado, Gian Carlos Setter, o exame realizado no IGP – Instituto Geral de Perícias apontou que a menina teve os órgãos genitais tocados, mas não houve rompimento do hímen. Mesmo assim, segundo o Código Penal, por tratar-se de menor de 14 anos, o estupro é caracterizado mesmo quando apenas tentado, e não consumado.
Para a reportagem, o acusado, que mora em Araranguá, é casado há 2,6 anos com a tia da criança e tem um filho de 3,4 anos, conta que a família da vítima mora também em Araranguá, e por ter um filho de idade parecida à da sobrinha, aproximou as duas crianças: “Eu moro no mesmo apartamento há mais de 18 anos, tenho três empresas, e sempre fui uma pessoa bem conceituada na sociedade. O que aconteceu é que, por morar em apartamento, eu levava meu filho uma vez por semana na casa da menina, para que os dois pudessem brincar no pátio. Um dia, há oito meses, levei a sobrinha pra brincar com meu filho no nosso apartamento, tenho até fotos desse dia. Nada aconteceu, eu sou inocente”, diz o homem, que conta que a menina desenvolve há anos o hábito de tocar nas partes íntimas, o que impulsionou a família a procurar psicólogos desde que ela era bem pequena: “Ela tinha esse hábito, e isso causava constrangimento para a família. Um dia, ela brincava com um ursinho de pelúcia e fazia carinhos nele. Alguém perguntou, e ela disse que era eu quem fazia isso com ela. Agora, ela diz coisas piores, como que eu tocava na vagina dela e fazia sinal de que não era pra contar pra mamãe. Não sei quem está influenciando essa criança a dizer isso, só sei que abomino a pedofilia, sou feliz no meu casamento e jamais faria uma coisa dessas”, lamenta.
O acusado suspeita de duas pessoas na família: o próprio pai, já que a criança tem tido hábito de se tocar desde a mais tenra infância, e que segundo ele, é uma pessoa cheia de problemas: “Ele toma remédios controlados, está sempre em depressão. A mulher dele também é bem nervosa, e os dois sabem que a menina tem esse problema há muitos anos”. Outro ponto que o faz desconfiar do pai é que apesar de todas as acusações na família, o pai da menina não esboçou nenhuma reação: “Se eu soubesse de que alguém estivesse mexendo com meu filho, no mínimo, eu tentaria esclarecer as coisas, mas ele não diz nada sobre o assunto”, alerta. Outra suspeita do acusado é uma tia, que diz ser madrinha da criança, e que levava a menina constantemente para passar os finais de semana em Meleiro: “Acredito mais nessa hipótese, já que sempre que a menina voltava de lá, ficava estranha. A família em Meleiro é desequilibrada e cheia de problemas, a maioria usa remédios de tarja preta, e há usuários de drogas. É uma família desequilibrada, e pra mim, eles agiram imbuídos de ciúmes por causa da prosperidade da nossa família e a felicidade que temos em nosso casamento”, afirma o homem, que apesar da defesa, foi encaminhado ao Presídio Regional de Araranguá, onde deve permanecer à disposição da Justiça.
Como não há fiança para crimes hediondos como o estupro de vulnerável, e apesar de ter curso superior e pós graduação, o homem permanecerá no Presídio até que o juiz da 1ª Vara Criminal de Araranguá, onde tramita o caso, julgue o pedido de revogação da prisão preventiva encaminhado pelo advogado de defesa do acusado.
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