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Polícia 08/02/2012 - 09:22
Polícia investiga entidade acusada de estelionato
Denúncias de que representantes de ONG sediada em Navegantes estariam pedindo donativos em Araranguá culminou em Inquérito Policial.
Araranguá
Banco de imagens J A
Para os três voluntários e o vice presidente da instituição, o que está acontecendo é um triste mal entendido

Três pessoas que se dizem voluntários de uma ONG chamada “Resgatando Vidas”, de Navegantes, Norte do Estado, foram levadas para a DIC – Divisão de Investigações Criminais da Polícia Civil de Araranguá na tarde de ontem. Segundo o coordenador da DIC, delegado Jorge Giraldi, A.N., 33, A.R.B., 23 e D.C.X.M.B., 43, foram flagrados no Calçadão da Getúlio Vargas, no centro de Araranguá, pedindo doações para a ONG, que apesar de possuir endereço próprio e CNPJ, não possui Alvará de Funcionamento e nem autorização da Vigilância Sanitária, e por isso, é considerada irregular.

Giraldi explica que além da ausência da licença para atuar, os voluntários traziam nos crachás nome e CNPJ de outra entidade sem fins lucrativos, localizada na cidade de Patos de Minas, MG, e que não teriam pedido autorização a nenhum órgão oficial para pedir as doações na cidade: “Temos informações do diretor do Conselho Municipal Antidrogas de Navegantes de que a instituição funciona de maneira irregular. Nós temos nossas próprias instituições aqui, não vejo muito sentido em virem do extremo Norte para pedir doações no Extremo Sul. “Como poderemos garantir que o dinheiro arrecadado vai mesmo para a instituição? É uma situação no mínimo questionável”, reflete o delegado, que após ouvir o vice presidente da instituição, J.A.M.F., 18, que esteve na delegacia e confirmou a ausência de Alvará de funcionamento da entidade, decidiu recolher os R$ 554,82 que haviam sido colhidos pelos voluntários durante a manhã até o início da tarde de ontem, em Araranguá, e abrir um Inquérito Policial para investigar um possível crime de estelionato. O delegado liberou os três acusados – um deles, de 23 anos, respondeu por assalto quando tinha 20 anos - mas ressaltou que a entidade já responde a outros dois IPs – em Florianópolis e Balneário Camboriú – pelo uso de menores para pedir contribuições.

A mesma Organização da Sociedade Civil de Interesse Público foi denunciada pela diretora do Departamento de Desenvolvimento Social do Balneário Arroio do Silva, Avanei Tomaz de Bitencourt Vieira, que alertou a comunidade sobre o uso indevido do nome do município para conseguir doações. Segundo ela, todas as entidades sem fins lucrativos são inscritas no Cadastro Único, o que não é o caso da Resgatando Vidas. Segundo a diretora, na semana passada, o Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente de Criciúma informou que a ONG estaria captando doações na cidade, dizendo estar sediada no Balneário. A diretora contestou a informação, dizendo que a entidade não está cadastrada em nenhum órgão oficial do município. Há informações de que a mesma instituição estaria atuando também na cidade de Sombrio.

 

Voluntários contestam – Para os três voluntários e o vice presidente da instituição, o que está acontecendo é um triste mal entendido. Eles admitem que a instituição não possui os Alvarás, que serão pedidos na Justiça, já que alegam perseguições políticas na cidade de origem que impedem a retirada das autorizações. Já o CNPJ foi recebido em novembro deste ano. Os integrantes dizem que a entidade é um braço de outra instituição, sediada em Minas Gerais, e que trabalha com crianças em situação de risco pelo uso de drogas, e também com dependentes químicos maiores de idade: “Em Navegantes, atuamos com uma casa que cuida de cerca de 60 crianças de rua, a maioria filhos de dependentes de crack, mas também mendigos e dependentes químicos”, explica o vice presidente da instituição, que diz nos dois Estados, a organização conta com uma casa de recuperação masculina e feminina, albergue, restaurante comunitário, lar de idosos e principalmente um trabalho intensivo na área de prevenção de crianças em situação de risco e também já usuárias de entorpecentes, muitas delas encaminhadas pelos Conselhos Tutelares e juizado de menores.

Um dos voluntários indiciados em Araranguá, A.R.B., 23, diz que foi usuário de crack por seis anos, até o ano passado, e admite que cometeu assalto aos 20 anos, quando estava no mundo das drogas: “Conheci a Resgatando Vidas em Minas Gerais no ano passado, e minha vida mudou. Hoje moro em Navegantes, atuo na ONG como voluntário e posso atestar o belo trabalho da nossa instituição”, garante.

Segundo os integrantes, a Organização da Sociedade Civil de Interesse Público está construindo uma página na internet, mas fotos e informações sobre o trabalho efetuado pelos voluntários podem ser acessados nas redes sociais Facebook (www.facebook.com/resgatefamilia) e Orkut (www.orkut.com) no perfil resgate.org. Ao acessar a página, a reportagem do Jornal Amorim constatou apenas um membro no endereço, e nenhum registro sobre a entidade, além da descrição, que diz:

“Esta comunidade ela está sendo criada por uma criança de 12 anos que já foi um dependente químico que foi convertido por uma pastora que tinha 56 anos numa cidade situada no estado de Minas Gerais... No longo da vida eu enfrentei muitas dificuldades dentro e fora de casa por vários preconceitos”.

Afirmam ainda que em Minas Gerais, a instituição é reconhecida como Utilidade Pública municipal e estadual, e que muitos juízes, através de liminares, acabam por ceder a guarda provisória de crianças em situação de risco para serem atendidas pela instituição. Eles também negam que tenham pedido as doações mentindo a sede da ONG: “Apenas afirmamos que alugamos uma casa com nossa equipe de voluntários em Arroio do Silva, onde estamos sediados para fazer esse trabalho de captação de doações na região Sul do Estado, trabalho que realizamos em várias regiões de Santa Catarina, já que não contamos com apoios governamentais, apenas com doações das comunidades e das empresas”, diz o vice presidente, que nega qualquer má intenção na ação do grupo: “Trabalhamos com crianças de carne e osso, todas histórias reais. Somos de verdade, e isso pode ser visto”, diz J.A.M.F., 18. Segundo ele, a instituição fica na rua José Alcebíades Laurentino, 275, no centro de Navegantes. O telefone é (47) 3348-7451.

 

 

Fernanda Guidi
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1 comentário

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Gio
14/02/12 22:56

Se querem pedir em outra cidade que não a da sede da ong por que não pedem autorização ao conselho competente da cidade em que pretende pedir. Já não Bastam as Associações e Ongs das nossas cidades ainda vem as de fora pedir, ou mais, forçar, a dar ajuda a uma ong que nem conhecemos o trabalho.

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