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Histórias de Vida 17/05/2011 - 08:51
“A Casa de Deus virou minha casa. As pessoas que freqüentam-na minha família”
A simplicidade do cidadão Agnaldo Krause revela uma vida dedicada à Igreja
Sombrio
Banco de imagens J A
“Tudo o que aparece para eu fazer eu faço, não tenho uma função específica, nada deixo de fazer, isso aqui é minha vida”,garante ele

 

"Vivemos num tempo de mudanças rápidas onde tudo parece fugaz, substituível e passageiro. Aquele tempo das durações, onde se podia sentir vagarosamente o desabrochar das transformações e o desenrolar das coisas já não existe mais. Ao que tudo indica, as relações duradouras deram espaço às relações passageiras e os objetos duráveis aos descartáveis. Em meio a esta dinâmica, os sujeitos contemporâneos, desapegados do passado, engendram um presente amarrado no futuro que, não raro, tem deixado de lado tradições, valores, estilos e modos de vida. Eis então um dos grandes desafios dos sujeitos no tempo presente: debruçarem-se no passado a fim de compreender o seu presente e planejar o futuro. Desta maneira, preocupada com as rememorações, a Semana das Histórias de Vida – evento internacionalmente reconhecido no dia 16 de maio - é uma das maneiras que o Jornal Amorim encontra para proporcionar a visibilidade de  histórias do cotidiano e modos de ser, fazer e viver, que nos permitem olhar o presente e compreender suas tensões, conflitos e anseios.A série de reportagens iniciada na edição de ontem,16, permanecerá até o dia 22 buscando de um jeito simples mostrar a sociedade do Vale do Araranguá a importância e o valor de cada Ser Humano na história de uma cidade, comunidade e país.Acompanhe a seguir,a emoção nas entrelinhas de cada frase que visa traduzir sentimentos e propósitos."

 

 

Aos 77 anos de idade, o senhor Agnaldo Krause, natural de Garapoava, no Paraná, mostra orgulho nas palavras, quando fala seus 18 anos dedicados à Igreja Matriz de Sombrio, da Paróqui Santo Antônio de Pádua.Morador de Sombrio desde 1991, ou seja, há 20 anos na cidade, o zelador trabalhou,até se aposentar numa oficina mecânica da cidade e, já nesta época, começou seu trabalho voluntário de abrir e fechar a Igreja diariamente.

“Sempre fui criado pelos meus pais dentro de igrejas, sempre fui muito católico e quando vim a Sombrio, após ficar viúvo, iniciei outra vida e a Casa de Deus virou minha casa também e as pessoas que a frequentam, minha família”, disse o homem.

O reconhecimento de um abraço

A entrevista concedida à reportagem do Jornal Amorim foi interrompida várias vezes por pessoas que chegavam e saíam da Igreja, envolvidos com o Cerco de Jericó, que cumprimentavam, davam um abraço, um aperto de mão, ou simplesmente um “tchau seu Agnaldo”, mostrando que muitos o querem bem, pelo que faz pela paróquia.

“Tudo o que aparece para eu fazer eu faço, não tenho uma função específica, nada deixo de fazer, isso aqui é minha vida”, continuou, enquanto era chamado para acender as luzes da Igreja, já no fim da tarde desta segunda-feira.

Emocionado, seu Agnaldo lembrou que, quando chegou a Sombrio e fez seu primeiro trabalho na Igreja, o pároco era o Padre Domingos. Sem esquecer nenhum de seus ‘chefes’, citou todos, mas com o peito cheio, não deixou de rasgar elogios a dupla de novos padres da cidade, que chegou em Janeiro.“Em toda a minha vida de Igreja conheci muitos padres bons, sem desmerecer nenhum deles digo com toda certeza que estes dois (Daniel Pagani e Antônio Vander) são os melhores que já vi. Eles fazem um trabalho lindo.”

Mas nem tudo foi alegria na vida voluntária do mecânico aposentado na Igreja de Sombrio. Durante um tempo, ouviu pessoas comentarem, com certa maldade, algo que é totalmente o contrário do que o discreto homem faz.

Um ofício exercido com Amor

“Já me falaram em fazer algumas homenagens, mas não gosto disso, não faço nada para aparecer. Uma vez até diziam que o que eu fazia na Igreja era para me aparecer, eu estava muito triste com essa história, mas em uma reunião que tivemos, em que até o Bispo Dom Paulo estava presente, eu pedi a palavra e expliquei”, lembrou seu Agnaldo, que repetiu o que disse na tal reunião: “Tem gente dizendo que faço meu trabalho na Igreja para aparecer, que estas pessoas continuem dizendo isso, porque meu coração está tranqüilo e eu sei que Deus tem certeza que tudo o que fiz e faço é com amor.”

Com a chegada dos novos Padres, Agnaldo diz que achou que uma das mudanças prometidas seria a sua saída, mas não foi o que aconteceu. “Não tive medo, porque jamais abandonarei a Igreja.Mas achei que mudariam, não mudaram e estou aqui, fazendo tudo com amor. Isso aqui é minha casa, minha família”, salienta.

 

“Sempre fui criado pelos meus pais dentro de igrejas, sempre fui muito católico e quando vim a Sombrio, após ficar viúvo, iniciei outra vida e a Casa de Deus virou minha casa também e as pessoas que a frequentam, minha família”, disse o homem.

O reconhecimento de um abraço

A entrevista concedida à reportagem do Jornal Amorim foi interrompida várias vezes por pessoas que chegavam e saíam da Igreja, envolvidos com o Cerco de Jericó, que cumprimentavam, davam um abraço, um aperto de mão, ou simplesmente um “tchau seu Agnaldo”, mostrando que muitos o querem bem, pelo que faz pela paróquia.

“Tudo o que aparece para eu fazer eu faço, não tenho uma função específica, nada deixo de fazer, isso aqui é minha vida”, continuou, enquanto era chamado para acender as luzes da Igreja, já no fim da tarde desta segunda-feira.

Emocionado, seu Agnaldo lembrou que, quando chegou a Sombrio e fez seu primeiro trabalho na Igreja, o pároco era o Padre Domingos. Sem esquecer nenhum de seus ‘chefes’, citou todos, mas com o peito cheio, não deixou de rasgar elogios a dupla de novos padres da cidade, que chegou em Janeiro.“Em toda a minha vida de Igreja conheci muitos padres bons, sem desmerecer nenhum deles digo com toda certeza que estes dois (Daniel Pagani e Antônio Vander) são os melhores que já vi. Eles fazem um trabalho lindo.”

Mas nem tudo foi alegria na vida voluntária do mecânico aposentado na Igreja de Sombrio. Durante um tempo, ouviu pessoas comentarem, com certa maldade, algo que é totalmente o contrário do que o discreto homem faz.

Um ofício exercido com Amor

“Já me falaram em fazer algumas homenagens, mas não gosto disso, não faço nada para aparecer. Uma vez até diziam que o que eu fazia na Igreja era para me aparecer, eu estava muito triste com essa história, mas em uma reunião que tivemos, em que até o Bispo Dom Paulo estava presente, eu pedi a palavra e expliquei”, lembrou seu Agnaldo, que repetiu o que disse na tal reunião: “Tem gente dizendo que faço meu trabalho na Igreja para aparecer, que estas pessoas continuem dizendo isso, porque meu coração está tranqüilo e eu sei que Deus tem certeza que tudo o que fiz e faço é com amor.”

“Vivo mais aqui que em minha casa, não posso dizer que estou 100% na Igreja, mas 85% do meu dia é dedicado a ela” comenta  ele com um sorriso na face

Com a chegada dos novos Padres, Agnaldo diz que achou que uma das mudanças prometidas seria a sua saída, mas não foi o que aconteceu. “Não tive medo, porque jamais abandonarei a Igreja.Mas achei que mudariam, não mudaram e estou aqui, fazendo tudo com amor. Isso aqui é minha casa, minha família”, salienta.

Com boa relação com todos os padres que passaram pela paróquia Santo Antônio de Pádua, o zelador afirma que sente falta dos que vão embora, dos Padres que se mudam, que vão para outras cidades, e das Irmãs que são grandes amigas e companheiras.

“Vivo mais aqui que em minha casa, não posso dizer que estou 100% na Igreja, mas 85% do meu dia é dedicado a ela”, finaliza.

 

 

Por: Fabrício Espíndola
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