
Uma viagem ao inferno manicomial. Esta é a odisséia vivida em um filme nacional chamado “O Bixo de Sete Cabeças”. A História relata a vida de um jovem de classe média baixa que leva uma vida comum até o dia em que o pai o interna em um manicômio depois de encontrar um cigarro de maconha em seu bolso. O fato é a gota d’água que deflagra a tragédia na família. No manicômio, o jovem conhece uma realidade absurda e desumana, onde os internos são devorados por um sistema corrupto e cruel. A linguagem do documentário utilizada pela diretora empresta ao filme uma forte sensação de realidade, aumentando ainda mais o impacto das emoções vividas pelo protagonista, que era representado por Rodrigo Santoro.
O que as pessoas nem imaginam, é que isso é muito comum no mundo inteiro. O cidadão Adriano Jorge Stefans, (38), é natural das Filipinas e atualmente mora no Balneário Gaivotas. Ele que é artista plástico, conta que tem esse dom desde pequeno, quando fazia algumas peças artísticas com chicletes. Segundo ele por ter esse lado artístico aflorado, muitas pessoas o tratavam como diferente, inclusive seu próprio pai. Adriano perdeu sua mãe muito jovem, ficando sob os cuidados do pai e madrasta. Seu pai, já tinha uma idade avançada, e não entendia as demonstrações do filho sobre arte. Certo dia, seu pai cansado de não compreender as atitudes do filho que tinha apenas 14 anos, resolveu o interná-lo em um manicômio. “Sei que meu pai não fez por mal, mas isso me gerou uma série de conseqüências, inclusive, psíquicas”, conta o homem.

Desafios vivenciados não ceifam a determinação e a criatividade
Adriano diz que no hospício, recebia altas doses de remédios controlados, que o deixavam sem atitudes alguma. Sob efeito de calmantes, o moço, não conseguia expressar suas emoções e nem contar à família o que acontecia com ele enquanto não estavam perto. “Eu me senti um morto vivo, via tudo o que se passava ao redor, porém não conseguia reagir e nem explicar”, contou ele, que ficou internado por cerca de 120 dias no local.
Adriano explica, que as famílias muitas vezes nem sabem o que se passa quando interna um parente em um manicômio, no caso dele, essa internação, junto a medicações fortes, deixou-o com sérias seqüelas mentais. “Eu era um jovem saudável, inteligente, só queria expressar a arte, ninguém me entendia”, explicou ele, dizendo que quando saiu do manicômio, foi morar com uma amiga de sua falecida mãe, pois o pai decidiu rejeitá-lo. Após isso, o jovem recebeu um convite para conhecer o Brasil num show conhecido mundialmente, Rock in Rio, foi deste momento então que ele decidiu optar pelo país em que vive há cerca de 20 anos.
Artista aposta na sensibilidade Brasileira para prosseguir Ideal
Adriano procura emprego na cidade. Ele já morou em várias partes do país, e diz ter experiência em área gastronômica em todo país. “Quero muito trabalhar e ficar na cidade. Tenho experiência com gastronomia de diversas partes do mundo. Mas procuro trabalho em qualquer área”, explicou acrescentando que o brasileiro é muito receptivo e dá valor a arte. “O brasileiro consegue enxergar Deus na arte. As pessoas aqui são muito mais sensíveis. O Brasil, é um país universal”, declarou.
O artista vive atualmente somente com a venda do que produz com massas de secagem rápida. Conforme ele, o que ganha, não é o suficiente para sobreviver. Ele paga aluguel e ainda é obrigado a gastar com remédios controlados, devido aos problemas gerados com o uso de medicamentos do Hospital para doentes mentais. “A arte que crio não depende de minha mente, isso é fruto de Deus. Eu não sei usar bem as palavras, por isso expresso meus sentimentos em minhas obras”, finalizou.
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