
Paz e sossego são o que se sente quando se está na varanda da casa de Teresinha Anastácio, 53, que vive no lado Oeste do bairro Jardim Cibele há 12 anos. Ali, naquela tranquilidade ela criou os dois filhos, as vacas de leite, os cabritos e as galinhas. Por anos a fio, passou pela dificuldade de acesso, que fazia com que a professora, que dá aulas na CEI Jardim Cibeli, tivesse que ir até o bairro Operária, 1 Km ao Sul da casa onde mora, para acessar o outro lado do bairro e poder chegar à escola.
Agora, ela, a família, os vizinhos e pelo menos duas comunidades - Jardim Cibeli e Operária - se preparam para enfrentar o desafio de ver a realidade a que estão acostumados mudar radicalmente: eles são vizinhos do novo desvio das obras da duplicação da BR 101 Sul, em Araranguá. Da extrema da casa dela até a estrada vicinal há uma distância de cerca de 15 metros, e há 25 metros, estará o asfalto que dará cara a nova rodovia.
A nova pista, que conta com um elevado e tem uma extensão de cerca de 10 Km, traz a expectativa de dar uma nova cara aos bairros que antes faziam parte da área rural da cidade. Por enquanto, o movimento é tímido, já que as máquinas da empreiteira responsável pelo trecho que passa na frente da casa de Teresinha não apareceram ainda neste ano. Na Justiça, ela e um vizinho conseguiram conquistar um acesso ao outro lado do bairro, cortando o trajeto diário em cerca de 3 Km.
Há especulações de pessoas interessadas em adquirir terrenos para investir no trecho, com postos de gasolina, restaurantes e outros tipos de empreendimentos, mas por enquanto, poucas áreas de terras na marginal estão sendo vendidas. Perto da casa de Teresinha, apenas um vizinho, que trabalha com a queima de madeira para produção de carvão, vendeu as terras, alegando dificuldade de acesso, já que os poucos acessos que estão sendo construídos ao longo da nova rodovia, ligados por estradas vicinais, não comportam a passagem de veículos pesados, como os caminhões da carvoeira.
Raio X - O trecho, que deve municipalizar o atual traçado da BR 101 em seis quilômetros – do Km 409 até o Km 415, a cerca de 200 metros ao Sul do posto da Polícia Rodoviária Federal de Araranguá – modifica a paisagem naquelas áreas rurais e foi visitado pela reportagem do Jornal Amorim. Vacas e bois pastam tranquilamente na beira da nova estrada, em partes onde as pistas já estão abertas e asfaltadas. Valos abertos para a construção de estradas vicinais e que estão abandonados se transformam em piscinas de água parada das chuvas e focos de mosquitos e outros insetos, que atordoam as noites de quem mora no local.
Próximo ao segundo elevado na divisa entre Maracajá e Araranguá, é possível ver da BR 101 o elevado que se ergue, marcando o início do desvio no novo traçado. O elevado segue até próximo a margem Norte do rio Araranguá, e dali para frente, apenas banhados e terras cercadas de uma vegetação verde e baixinha aparece onde deveria estar à continuação do elevado, que dará acesso à parte aterrada da nova estrada, que começa na frente da casa de dona Teresinha, e que ainda não está asfaltada. O asfalto começa a cerca de 700 metros depois, e vai até próximo ao acesso que será construído no Km 415, onde a estrada ainda é de barro e cercada por montes de pedras e areia que serão utilizados na obra.
Barulho – Os mais otimistas preveem a inauguração para 2013, mas tem gente que diz que até 2015, a duplicação não sai. Para os moradores, não importa os desafios que terão que passar – como trocar o silêncio e a tranquilidade de hoje pelo barulho do vaivém dos caminhões pesados, carros e motocicletas que passarão sem trégua pelo desvio da BR 101, enfrentar os mosquitos originados dos valos abertos ou mesmo enfrentar o aumento da criminalidade que vem chamando a atenção – o mais importante é que a obra acabe e a rodovia seja ativada: “Hoje ta ruim, tem muita poeira, quando chove é um lodaçal, a gente não vê ninguém trabalhando, desanima. Melhor que fique pronta de uma vez a rodovia”, diz Teresinha, que só lamenta ter que trocar o silêncio pelo barulho: “Mas vou tentar me acostumar, porque amo esse lugar e não quero sair daqui.”, finaliza.
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