
Uma situação curiosa acontece no trecho que vai do KM 409 ao KM 415 na BR 101, em Araranguá. Com a construção de um desvio no lado Oeste do atual traçado – pleito da comunidade, que deve garantir mais segurança - o antigo trecho de seis quilômetros da rodovia federal passa a pertencer ao município, que só pode assumir a estrada após a cessão da mesma pelo Governo Federal, o que não deve acontecer antes da conclusão das obras de duplicação.
Enquanto o município espera, o trecho continua sendo de responsabilidade do DNIT – Departamento Nacional de Infraestrutura em Transporte, que tem demorado para tomar as decisões e buscar soluções, segundo reclamações das comunidades adjacentes ao trecho.
Um dos pontos mais críticos é a ponte sobre o rio Araranguá, no KM 412, que neste domingo, 22, paralisou a rodovia por causa do rompimento de um cano de distribuição de água do Samae. Apesar dos muitos transtornos causados pelo incidente, o órgão federal responsável pela rodovia não enviou nenhum técnico para avaliar a situação no local. Os reparos acabaram sendo realizados pela concessionária Setep, responsável pelas obras de duplicação da rodovia no trecho, e o Samae, responsável pela canalização rompida na ponte. Para o diretor do Samae, Ernani Palma Ribeiro Filho, a ponte, que foi construída na década de 70, não foi projetada para suportar o grande movimento de hoje: “As estruturas estão sólidas, mas mesmo assim, ela exige atenção permanente”, diz o diretor, que lembra que a prefeitura não pode atuar no trecho sem autorização do DNIT.
Outro ponto crítico nos seis quilômetros que serão municipalizados é o trevo do Mato Alto, onde há anos a comunidade vem se manifestando, cansada de presenciar acidentes fatais que poderiam ser evitados, caso o traçado do trevo fosse modificado. Há pelo menos três anos, os moradores e comerciantes vem realizando manifestações. A última delas, no ano passado, quando centenas de cruzes foram fixadas lembrando as mortes no local, renderam a instalação de radares eletrônicos, que coíbem, mas não impedem a alta velocidade, já que muitos motoristas que passam pelo local sabem que os aparelhos de contenção de velocidade estão desligados.
Para Ernani, a construção do desvio e a municipalização do trecho entre os KM 409 e 415 é uma conquista enorme para Araranguá: “Estamos no centro entre o Mercosul e as regiões Sul e Sudeste. Somos um ponto estratégico para bons negócios. Será bom poder contar com boas estradas e a segurança que foi garantida com a construção do desvio. Araranguá só tem a ganhar”, diz.
Ernani explica que conversações com o DNIT indicam que o órgão deve reformar todo o trecho a ser municipalizado antes de entregar os seis quilômetros para o município de Araranguá: "O DNIT firmou esse compromisso com Araranguá. Depois disso, todos os reparos necessários serão feitos sem que o município tenha que pedir autorização para realizar as obras”, finalizou.
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