
“Foram dez dias de chuva, no mínimo, neste último mês.” A estimativa é Edson Junior, que tem 21 anos e veio de Goiânia para Balneário Gaivota trabalhar como vendedor de moda praia ou, como chama, “roupa de canga”. Edson já pratica a venda na orla há seis anos, todos eles passados nesta praia. Edson Junior tem 18 anos e pratica a atividade desde os 10. Também gosta muito da Gaivota, mas lamentou as chuvas e o frio dos últimos dias. “Principalmente os dias de Natal até o Ano Novo, porque é quando a gente costuma vender mais. Quando chove, não podemos nem sair de casa. Com tempo nublado também é complicado por causa de algumas pancadas que caem de repente”, disse.
Mas, na tarde desta terça-feira, 3, a situação na beira da praia já era outra. O sol atraiu uma multidão até a areia e o mar. Bom para os dois, que voltaram a vender e esperam, agora, recuperar o prejuízo. Eles dependem exclusivamente daquele dinheiro para manter-se durante os três meses de calor no Sul e contribuir, eles também, para o aquecimento da economia no município. O grupo composto de seis pessoas chegou há um mês, alugou duas casas na Rua E, e vai ficar durante toda a temporada. “Tomara que o tempo continue assim, quente, com sol”, desejou Edson.
Menos 50%
O empresário Carlos Varela, 39 anos de idade, 14 deles passados no comando de um restaurante que fica no calçadão, próximo à 3ª Avenida, estava com a casa movimentada nesta quinta-feira. A situação não foi a mesma, porém, nos dias anteriores. “Meu movimento caiu 50% na semana anterior ao réveillon”, disse. “A falta do sol, na praia, é ruim para os bares e restaurantes, e para o veranista”, opinou. “A noite do réveillon, para mim, não mudou, pois faço uma festa fechada e atendo somente com reserva de mesa. Fazemos uma ceia, com música ao vivo, o já é tradição na casa. Estávamos lotados, como sempre, mas durante o dia foi tudo bem parado, atendemos poucos clientes”, lamentou.
Depois de 20 anos
Um trio que sentava em uma das mesas do restaurante, iluminado pelos raios solares, concordou com o empresário. “Foram muitos dias com tempo fechado. Hoje viemos para a Gaivota para tomar banho de mar, mas chegamos aqui no bar e estava tão bom que resolvemos ficar”, explicou Naira Huff. Acompanhada de Marinês Cruz e Adelar Huff, ela lanchava no restaurante de Carlos e curtia o movimento da praia, o que não puderam fazer por dias.
Moradores de Bom Jesus, no Rio Grande do Sul, e veranistas de Arroio do Silva, eles retornaram a Balneário Gaivota depois de 20 anos. “Resolvemos descer desde o Arroio pela Interpraias e passar pelo litoral, com chuva ficamos presos demais em casa. Passamos pela Praia da Caçamba, Lagoa Cortada, foi muito bom”, elogiou. “A Praia da Gaivota está linda. Depois deste tempo todo, a mudança é impressionante, não havia nada aqui naquela época. Gostamos muito dos banheiros ecológicos e ficamos impressionados com a preservação das dunas. Estão intactas, é bom ver que o desenvolvimento pode vir junto com o cuidado com a natureza”, acrescentou Adelar. O trio retornaria no final do dia a casa de veraneio.
Sem feriado
No outro lado da rua, a também empresária Daiane Marcante da Rosa corroborava a declaração do colega de profissão e lamentava a queda nas vendas. Proprietária de um bar com videokê, ele avaliava as perdas. “Meu movimento caiu pela metade, vendi muito pouco”, declarou. “Outro fator que prejudicou o litoral como um todo foi o fato de as festas de final de ano terem caído no final de semana. Assim, os turistas viajaram menos, tivemos menos consumidores também por causa disso”, lembrou.
Quem ganha
Mas há quem seja beneficiado com a combinação de água no mar e água no céu. “Meu movimento é maior, sim, quando não há sol. Em dia nublado, com temperatura baixa, minha loja fica cheia”, disse a empresária Edila Couto Borges, que dirige uma loja de presentes localizada em um centro comercial na Avenida Beira Mar. O local é beneficiado com o tempo “ruim” porque está localizado em ambiente protegido, longe de ventos, pingos ou respingos. “Mas é claro que eu sei que, para o turista, chuva é péssimo. Além disso, se chove muito, o pessoal vai embora e aí sim eu não tenho movimento algum”, lembrou. “As vendas foram boas, também, porque tenho uma loja de presentes. Tem um pouco de tudo aqui, desde presentes para mulheres de todas as idades e gostos até crianças e homens”, explicou.
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