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Especial 16/02/2012 - 17:04
Assalto cinematográfico em Sombrio
Centro da cidade parou ontem por ameaça de bomba no BB
Sombrio
Banco de imagens J A

O Banco do Brasil do centro de Sombrio foi assaltado no início da manhã de ontem por homens que renderam 14 funcionários do banco quando entravam na agência e quando estacionavam seus veículos no estacionamento dedicado a eles, levando uma quantia inicialmente avaliada em R$ 500 mil, sem deixar ninguém ferido.

De acordo com informações de vigias do banco, os homens estavam fotografando e investigando a rotina do banco e de seus funcionários há 40 dias, conhecendo inclusive os carros que tinham, quantos filhos, se eram casados ou não e em quais festas iam. O que gerou uma pressão psicológica em todos, que foram assim impedidos de avisar a polícia do assalto.

 

Ação de cinema

 

Por volta das 7h30, quando os primeiros funcionários do Banco do Brasil chegavam para o trabalho, uma hora após a abertura dos caixas eletrônicos, os bandidos iniciaram o assalto. Dois homens, armados, de cara limpa, renderam dois funcionários no estacionamento, logo após ele deixar seu carro, pedindo que o mesmo não fizesse alarde, nem reagisse. Logo depois, outros dois homens entraram na agência para dar continuidade ao roubo, rendendo também o vigia que fazia a conferência da situação do banco para a abertura. Um segundo vigia também foi abordado. Ambos tiveram suas armas retiradas, deixadas sem munição e depois os bandidos devolveram.

Inicialmente, para não levantar suspeitas, os funcionários eram ordenados a tomarem seus lugares na agência, para que quando os outros chegassem não notassem nada de errado. Uma informação extraoficial dá conta de que, com um crachá, um dos assaltantes informava quem tentasse entrar na agência para fazer os serviços de caixa eletrônico, que as máquinas estavam estragadas, fazendo com que os mesmos voltassem embora.

Já o delegado responsável pelo caso, Doutor André Luís Mendes da Silveira, afirmou que clientes também foram rendidos, mas que fossem para os caixas, normalmente, como se não houvesse nada de errado e por ali permanecessem.

Dentro do banco, celulares foram recolhidos e colocados dentro de um saco. Os homens entraram no cofre do banco e roubaram malotes com uma quantia inicialmente avaliada em R$ 500 mil, mas não confirmadas pelo gerente da agência.

Após o roubo concretizado, os quatro homens e, possivelmente, no mínimo mais um, que seria o motorista, fugiram em um veículo que inicialmente foi identificado como um Volkswagen Polo Hatch, cuja placa teve apenas as letras MUN identificadas.

Antes, porém, deixaram em cima de uma das mesas do banco um artefato idêntico a uma bomba. Segundo o delegado Luís Otávio Pohlmann, os bandidos disseram aos funcionários que outros homens armados esperavam do lado de fora e, caso a polícia fosse avisada eles ativariam um dispositivo que explodiria toda a agência.

Com essa ameaça ganharam cerca de 30 minutos de fuga, tempo que demorou para que um dos rendidos avisasse a PM do assalto.

 

A chegada da polícia

 

A PM chegou ao local por volta das 9h30. O assalto durou pouco mais de uma hora e quando o Sargento Alexandre e o Cabo Santos chegaram ao Banco do Brasil, os funcionários estavam em uma sala, a mesma ainda que foram colocados pelos bandidos.

Alguns chorando, apavorados e, um deles, informou os policiais sobre a bomba. Rapidamente os policiais pediram que todos se retirassem, já que havia a suspeita do explosivo. Chamaram reforço, que veio de Araranguá, através do Patrulhamento Tático e a polícia civil, que além dos investigadores estava com três delegados, dois de Sombrio, Luís Otávio e André Mendes, e o de Santa Rosa do Sul, Ari José Soto Riva.

As pistas e as informações preliminares foram levantadas, para que policiais de todo o estado e de todas as frentes, inclusiva os rodoviários, ficassem atentos e a procura dos assaltantes. As investigações foram atrapalhadas exatamente pela suspeita de bomba, pois todos os policiais estavam envolvidos e as imagens do circuito interno de câmeras não puderam ser recolhidas, pois ninguém entrava na agência.

Os homens do PPT entraram, fotografaram o artefato e enviaram imagens ao Bope de Florianópolis, que encaminhou, de helicóptero, dois homens do esquadrão antibomba para a verificação.

 

A demora do Bope e o desarmamento da bomba

 

Os homens do esquadrão especial antibombas do Batalhão de Operações Especiais da Polícia Militar, o BOPE, tinham chegada prevista para as 12h em Sombrio, logo depois, as informações passadas foram de que chegaram às 13h15. Só depois das 14h que desceram com o helicóptero da PM no estádio do Cairu, atrás da Igreja Matriz de Sombrio.

Segundo o Coronel Cabral, da Polícia Militar, a aeronave estava em manutenção e até ser preparada e equipada com os materiais necessários para o transporte dos especialistas demorou um tempo inesperado. Além disso, os peritos estavam em treinamento, atividade comum e constante, já que poucos são os casos de suspeita de bombas no estado.

Assim que chegaram, um deles foi destacado a entrar na agência para ver do que se tratava. Mais uma vez, com uma máquina fotográfica o perito apenas tirou imagens e voltou para fora da agência para estudar o artefato e uma maneira de desarmá-lo. As suspeitas de que se tratava de uma bomba aumentavam.

Cerca de uma hora depois, os dois homens entraram na agência e colocaram um explosivo, para que ali mesmo, onde o artefato estava, um pequeno estouro, com uma garrafa d’água, separasse o que seria o material para a explosão e os fios e o dispositivo que o acionaria.

Mais uma vez, para evitar qualquer tipo de acidente com quem passasse no local e com os próprios peritos, ambos saíram da agência e esperaram a explosão.

Do lado de fora se ouviu o estouro, equivalente ao barulho de um rojão comum.

Ao voltarem para a agência foi verificado que não se tratava de uma bomba, mas sim, de um simulado de explosivo, feito com massa de modelar, fita isolante e alguns fios. Uma cópia perfeita, capaz de fazer com que ninguém dissesse não se tratar realmente de algo perigoso.

 

Investigações sem muitos detalhes

 

Logo depois do desarmamento do artefato e do fim das suspeitas de bomba, a Polícia Civil assumiu as investigações de vez, iniciando as oitivas das testemunhas e analisando imagens do circuito interno, em busca de pistas e da identificação dos suspeitos.

O medo e o nervosismo eram visíveis no rosto de cada funcionário que entrava no banco, alguns deles até se escondendo atrás de pilares, evitando qualquer imagem que pudesse ser veiculada, os identificando.

 

Curiosos e imprensa

 

Desde os primeiros minutos após o isolamento da agência pelos policiais, muitos curiosos se aglomeraram próximo ao banco. Alguns, mais desavisados, tentavam furar a barreira, mas eram logo avisados de que não podiam seguir, eram informados do motivo e prontamente voltaram. As lojas nas redondezas também foram fechadas e clientes e funcionários dispensados, pelo menos até às 16h, quando se verificou que o artefato não era uma bomba.

Pelas redes sociais o assalto também ganhou grande repercussão e alguns boatos foram feitos e desfeitos durante o dia, com o famoso telefone sem fio. Reféns, mortos, sequestro e homens dentro da agência eram algumas das histórias que surgiam, mas nenhuma delas com qualquer grau de veracidade.

Jornais, rádios e televisões da região ou estavam no local, com seus repórteres, ou entravam em contato constantemente com outros jornalistas da cidade, para obter detalhes do assalto que ganhou conotação estadual.

Fabrício Espíndola
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