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Mariane T. Pezente
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Colunas 08/02/2012 - 08:43
História: como a sujeira virou um problema da humanidade

Boa parte dos atos que a humanidade pratica cotidianamente sem pensar é seguida de outro gesto automático: sobrou, jogou fora. Assim, de latinha em latinha, de saquinho em saquinho, de caroço em caroço, de folha em folha, de caixa em caixa, de celular em celular, enfim, de resto em resto, um cidadão brasileiro produz 378 quilos de lixo por ano. E, como lixo é lixo, ou seja, algo de que não se precisa e que não se quer ter por perto, ainda mais porque faz mal à saúde e ao planeta, governos, cientistas, indústrias e a população em geral empenham-se atualmente em encontrar formas de tratar a lixarada e reduzir sua quantidade – de preferência, ganhando dinheiro com isso.

O lixo, evidentemente, é tão velho quanto à humanidade. Nem sempre, porém, foi problema. Na pré-história, grupos nômades alimentavam-se da caça, da pesca e dos vegetais, e os restos da alimentação – ossos, peles e casca dos frutos – eram deixados no solo e seguiam o ciclo natural, numa espécie de éden ecológico. Cada etapa do progresso contribuiu para que os detritos aumentassem, sem que isso incomodasse muito as pessoas em volta, já que o asseio, em diversas sociedades, foi um conceito que custou a pegar.

A visão de lixo como um problema a ser enfrentado só se firmou no século XIX, quando a Revolução Industrial instituiu um novo patamar de tecnologia, de conforto, de produtos – e de resíduos. O lixo, a partir daí, e empurrado pela comprovação científica de seu papel como causador de várias doenças, começou a ser um desafio para a humanidade.

A industrialização incorporou ao cotidiano das pessoas uma série de novos produtos, inclusive o plástico, que por demorar um século para se decompor e nunca desaparecer completamente, hoje ainda pode ser visualizar “enfeitando” ruas, praias, rios e o fundo do mar. O impulso industrial também contribuiu para o surgimento das metrópoles – e quanto mais gente confinada em um determinado espaço, mais detritos se acumulam.

Na virada do século XIX para o XX, a limpeza urbana tornou-se uma preocupação séria. A primeira empresa desse segmento no Brasil, contratada pela cidade do Rio de Janeiro em 1876, era comandada por Aleixo Gary – seu sobrenome tempos mais tarde tornou-se sinônimo de coletor de lixo. Das carroças aos caminhões de coleta, décadas se passariam ainda, na mesma velocidade que a quantidade de lixo aumentaria.

A acumulação de sujeira é inevitável, faz parte do mundo atual e não para de crescer e se multiplicar, com novos e mais problemáticos ingredientes. As toneladas de garrafas, sacolas e embalagens de plástico descartadas todos os dias vieram se somar, mais recentemente às placas, teclados, computadores e celulares, o qual ainda se busca uma forma correta de descarte que não prejudique o meio ambiente.

O fato é que o lixo faz parte a muito tempo da história da humanidade, porém hoje temos apenas o conhecimento para lidar com tal fato, mas ainda não sabemos como exterminá-lo. E o pior... O problema só tende a aumentar.

Fonte: Veja – edição especial Sustentabilidade (Dezembro/2011)

 

No site www.anotacoesdeumabiologa.blogspot.comvocê tem acesso a mais informações.

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1 comentário

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Cynara Scheffer
08/02/12 20:08

ótima matéria, só achei que o final foi meio fatalista do tipo, é isso aí... não podemos fazer nada mesmo.

Eu procuro reduzir a produção de lixo no meu dia a dia e ensino isso pros meus filhos. Uso fraldas de pano por opção (um bebÊ produz mais de uma tonelada de fraldas descartáveis e cada uma leva quase 400 anos pra se decompor). Maluquisse? Olha, talvez não seja a opção mais prática, mas hoje em dia, com máquina de lavar, não me cairão os braços por pendurar algumas fraldas no varal.
Tenho uma composteira doméstica e pra lá vai a maior parte do meu resíduo orgÂnico, o que diminuiu demais a produção de lixo aqui de casa. De quebra ainda produzo um humus da melhor qualidade pra minha horta e jardim.
O lixo seco eu separo e entrego pros recicladores (embora certas coisas não tenham receptividade por não serem lucrativas, como o tetrapak, que estou me esforçando pra reduzir o consumo).
Quero começar a usar sacolas retornáveis tb.

Não acho que eu vá salvar o planeta sozinha, mas tenho certeza que, a minha parte eu estou fazendo e, o mais importante: estou ensinando isso para os meus filhos.

Se cada um fizer sua parte, podemos melhorar muito, não acha?

Um abraço1

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