
Nunca fui chegado às artes marciais. E não é por causa do meu físico frágil, uma vez que eu não gosto nem mesmo de assisti-las. Também nunca tive nada contra. Gosto, como se sabe, não se discute. Vez que outra, porém, sou obrigado a assistir alguma apresentação do gênero. Essas situações ocorrem quando eu vou ao cinema ou ligo a televisão, com a intenção de ver outro programa e surgem cenas de lutas. Aí não há como evitar. Fico vendo-as, enquanto o meu programa não vem.
É verdade que algumas vezes fui atrás de espetáculos de lutas marciais, com o objetivo de estar bem informado. Isto porque, afinal de contas, até tu, às vezes, cobra a minha opinião sobre tudo. Como observaste, apenas assisti apresentações deste esporte ou acidentalmente ou por dever de ofício. Talvez por isso eu apenas tenha visto lesões de maior gravidade em ocasiões raríssimas. Ainda assim eu notava que o agressor, não tinha a intenção efetiva de causá-las. Seu objetivo era apenas o de vencer a luta, mas não a qualquer preço, sendo o resultado grave apenas uma consequência que não pode ser evitada.
Até há bem pouco tempo os organizadores de lutas marciais procuravam estabelecer regras rígidas, no sentido de que os contendores não se ferissem com gravidade. Ora um não poderia bater no outro em determinadas regiões do corpo, ora o uso de equipamentos obrigatórios, como por exemplo, os protetores dos dentes ou as luvas acolchoadas dos boxeadores.
Ainda assim eu sempre observei que os juízes estavam atentos. Quando um competidor estava levando uma grande vantagem sobre o outro, já lhe desferindo vários golpes de forte intensidade, o árbitro intervinha e encerrava a luta, elegendo como vencedor o detentor da superioridade. De forma que a vontade do agredido não prevalecesse, uma vez que a prioridade era a sua integridade física. Assim, as tragédias eram raras.
Quando eu constatei o sucesso que estão fazendo as modernas lutas marciais (UFC e MMA), assisti algumas pelos motivos que já explanei. Constatei que nestas vale tudo, com raras exceções. Os lutadores usam mãos, braços, pés e pernas. Eles não usam luvas, de forma que um soco frontal, quando pega bem, causa grave lesão e o sangramento é imediato. O risco de fratura é terrível. Para agravar, os juízes são muito complacentes, esperam demais para que o prejudicado desista da luta. Um dia desses eu vi um competidor quebrar o braço do outro com a maior naturalidade. Como rola muito dinheiro, sempre há quem lute. Existem, porém, valores indisponíveis pelo homem, é quando não prevalece a sua vontade. Os principais são a vida e a integridade física. É desumano e perigoso permitir que alguém abra mão disso, independentemente de preço. Ou então, é triste reconhecer, voltamos à barbárie.
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