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Edmilson Colares
Meio Ambiente
Colunas 08/11/2011 - 08:56
Uma dificuldade a ser vencida

Em muitas coisas podemos e devemos manter as tradições culturais para as futuras gerações, sobretudo aquelas que mantêm as matrizes da vida. Todavia não quero me juntar aquele conceito aludido por Einsten, de que “a tradição é a personalidade dos imbecis”, pois considero que em certas áreas os novos avanços científicos e tecnológicos precisam construir novos caminhos para a evolução de uma sociedade ambientalmente sustentável, pois há situações em que a ação humana é necessária para a recuperação de ecossistemas extremamente degradados e que não teriam por si só as condições necessárias para o seu restabelecimento ao equilíbrio natural.

Outro fator relevante e que precisam caminhar lado a lado é a relação entre produção e preservação. Não é mais possível se pensar em uma em detrimento de outra. Os processos produtivos utilizados ainda em nossos dias, principalmente pelo pequeno agricultor estão ultrapassados e precisam evoluir para um novo patamar, onde a coexistência entre o manejo da cultura de produção, a preservação e a recuperação das florestas nativas, bem como, dos mananciais e das nascentes, terão que coexistir.

            No caso da produção, há a necessidade urgente da diversificação da cultura, priorizando as pequenas propriedades para a produção de alimento orgânico, ponderarando que cada vez mais os altos custos da produção devido ao elevado valor dos insumos combinado com a constante perda de qualidade do solo pelo manejo tradicional e a ilusão da concorrência no cultivo de culturas como o arroz com grandes proprietários de terra onde o capital e a capacidade de endividamento e lastro financeiro para barganhar o valor do seu produto fazem com que estes controlem o mercado e com isso levarão os pequenos agricultores ao endividamento e a conseqüente falência.

            Outro ponto sensível ao pequeno produtor, considerando que o objetivo das grandes empresas produtoras de sementes e de insumos é a agregação de valores ao seu produto o que vem levando o pequeno agricultor ao endividamento, uma vez que precisará cada vez mais de insumos para continuar produzindo a mesma quantidade que produzia em anos atrás, carecido pela exaustão do solo que a cada ano se torna mais pobre pela falta de rotatividade da cultura e pelos excessos de agrotóxicos que destroem a vida orgânica do solo, tais como as bactérias, fundamentais para a oxigenação e a captação do hidrogênio.

Outras culturas são apresentadas como alternativas, contudo os processos de produção e manejo se tornam os mesmos e em poucos anos tudo retorna a situação inicial. Daí o êxodo rural dos pequenos produtores vencidos pelo desanimo e o abandono.

O estado e, para melhor entendimento, refiro-me também ao município, tem a obrigação de construir alternativas concretas aos pequenos proprietários, mantendo a pesquisa e a busca de alternativas viáveis para a fixação do pequeno produtor em sua terra e conseqüentemente na comunidade onde vive.

A recuperação e a manutenção de nossas florestas nativas passam por uma nova orientação da cultura de produção de nossos agricultores. São eles que serão os grandes parceiros em inserir as novas mudas nativas no solo, que construirão o cinturão verde que fornecerá a qualidade do ar que respiramos e do alimento saudável sem o veneno dos pesticidas e dos agrotóxicos que chegarão as nossas mesas.

Não façamos das tradições equivocadas a nossa personalidade.

 

http://aguape-apa.blogspot.com

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